Zorba the Greek, EUA/Grécia, Drama, 1964, 142 minutos
Direção: Michael Cacoyannis
Elenco: Anthony Quinn, Alan Bates, Lila Kedrova, Irene Papas
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 12 anos
Contém: Violência
Áudio original em inglês e grego, legendas em português

Basil, um jovem escritor inglês, decide construir uma nova vida na Grécia. A escolha do país não é aleatória; Basil é, em suas próprias palavras, metade grego (o seu pai nasceu no país). Além disso, a sua família é proprietária de uma mina desativada, localizada em um paupérrimo vilarejo na ilha de Creta, e que o rapaz pretende reativar. Apesar de suas origens helênicas, Basil é essencialmente um membro da classe intelectual britânica, e não fala grego nem tem conhecimentos profundos sobre a cultura da nação de seu pai.
No porto de Atenas, esperando uma embarcação para Creta, o escritor conhece, inteiramente ao acaso, um camponês de meia-idade chamado Zorba. O primeiro contato já é o suficiente para estabelecer o choque fundamental entre as personalidades dos dois. Basil é um intelectual de caráter tímido e com uma arraigada tendência à formalidade, enquanto Zorba é um homem prático, com uma presença forte que rapidamente se impõe sobre o ambiente. Alguns poucos minutos bastam para que o camponês consiga convencer o britânico a levá-lo para a ilha, para trabalhar na mina.
A primeira parada do intelectual e seu novo escudeiro é no hotel de Madame Hortense, uma rica senhora francesa que vive à sombra de sua antiga fama como dançarina de cabaret. Ela se mostrará, ao longo da narrativa, uma personagem complexa, interpretada com maestria por Lila Kedrova. Desse ponto de partida, Basil começa a, aos poucos, conhecer a vila. Ela é, para o rapaz, um mundo novo, conduzido por relações sociais em tudo diferentes de suas prévias experiências no Reino Unido. Entre as figuras que vivem no vilarejo, destaca-se a de uma jovem e misteriosa viúva, cuja beleza espalha o fascínio entre os homens da localidade, mas que, ao mesmo tempo, desperta a ira da população pela sua recusa em se submeter aos papéis de gênero que tentam lhe impor.
O filme, uma coleção de acontecimentos que deslizam entre o cômico e o trágico, é fortemente conduzido pelo contraste entre as personalidades de Basil e Zorba. Desde o seu lançamento, muitos críticos têm ressaltado o caráter da obra de afirmação da vida, representado sobretudo pela figura impetuosa de Zorba. O grego traz, em sua bagagem, mil e uma experiências, todas vividas intensamente e até as últimas consequências. Zorba é um personagem de grande complexidade: cínico, manipulador, mas bem-humorado e charmoso, vive sob as cicatrizes (mentais e físicas) de uma guerra e dos crimes que ele cometeu nela.

Luan Augusto Machado de Lima

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