SÃO BERNARDO

Idem, Brasil, 1972, Drama, 114 minutos

Direção: Leon Hirszman

Elenco: Othon Bastos, Isabel Ribeiro, Rodolfo Arena e Jofre Soares

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 10 anos

Contém: Linguagem depreciativa

Onde encontrar: YouTube

Filme baseado no livro São Bernardo de Graciliano Ramos e que carrega bastante a linguagem da época, tendo em vista que narra uma história que remonta a região nordestina do começo do século XX. Na narrativa, percebemos a vida e o cotidiano dos cidadãos brasileiros se configurando como plano de fundo da história de um caboclo humilde, mas com modos e caprichos um tanto distintos, tendo em vista a sua grosseria e rudez quando precisa tratar de negócios ou coisas parecidas. Dessa forma, também é abordada a possibilidade de ascensão social do país naquela época, bem como as condições, os obstáculos e as medidas que são tomadas para que isso possa de fato acontecer e como o protagonista acaba lidando com sua ganância e suas obsessões particulares.

Na abertura do longa, Paulo Honório narra a sua origem humilde e suas dificuldades iniciais, contando uma breve história de como se envolveu em uma briga e acabou por assassinar um homem sem titubear um momento sequer. Quando solto, já recuperado, decide que quer fazer riqueza e viver bem. Seus primeiros trabalhos incluíam o de caixeiro viajante, que fazia longas jornadas para fazer trocas de mercadorias e acumular algum dinheiro. Ao mesmo tempo, trabalhava também como agiota, fazendo empréstimos e renegociando as dívidas de seus devedores sempre de forma tendenciosa para si, sem muita honestidade. Durante uma das empreitadas, chega a conseguir uma grande propriedade rural e suas riquezas começam a se acumular de maneira natural. Eis que então, almejando obter um herdeiro para toda a sua herança, o homem decide se casar, porém sua postura agressiva acaba rapidamente criando um clima de tensão e mal-estar com sua esposa, e isso mudará de fato, muitos dos acontecimentos da obra.

Assim, o filme se apresenta de maneira clara, onde seus dramas e questões são apresentados de forma cronológica e o desenvolvimento do protagonista nos auxilia a entender bem as motivações para algumas das problemáticas ocorridas na trama. Porém, pode-se destacar como um empecilho ou dificuldade de se compreender a obra em sua plenitude, o linguajar de época empregado, que em momentos nos ajuda a identificar a cultura e os modos do povo daquele tempo, mas também acaba por impor certa dificuldade em outros em que o protagonista narra sua trajetória.

Portanto, pode-se notar que para sua época o filme foi bem recebido, ganhando alguns prêmios, dos quais podemos elencar o de Melhor Ator pelo Festival de Gramado, o de Melhor Filme, Ator e Atriz pelo Prêmio Air France, em 1973, e por fim, o Coruja de Ouro de Melhor Diretor e Atriz Coadjuvante.

Thiago Freire Nascimento