Summertime, EUA/Reino Unido/Itália, Comédia Romântica, 1955, 100 minutos
Direção: David Lean
Elenco: Katharine Hepburn, Rossano Brazzi, Darren McGavin, Isa Miranda
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: A14
Contém: Violência
Áudio original em inglês e italiano, com legendas em português

Jane Hudson é uma secretária americana de meia-idade. Como muitas pessoas ao redor do mundo, sempre sonhou em conhecer Veneza, em experimentar o charme e os deleites da cidade. Por isso, quando o trem da mulher se aproxima do local, a mulher mal consegue esconder sua empolgação. As expectativas de Jane são de uma viagem perfeita, mas a experiência concreta se mostrará muito mais caótica e surpreendente; cercada por turbilhões de turistas que formigam nas vielas da cidade, por crianças que acossam os visitantes com ofertas insistentes, ela encontrará a charmosa figura do comerciante de antiguidades Renato de Rossi.
O homem, junto com as sonhadas ruas de Veneza, fará daquele um verão inesquecível para Jane — para o bem ou para o mal. Histórias românticas são, via de regra, centradas nas experiências da juventude. Era assim na Idade Média, na lenda de Tristão e Isolda, e é assim ainda hoje, nas comédias românticas de Hollywood e nas telenovelas. Somos apresentados a esbeltos jovens que, pela primeira vez, exploram as luxúrias da carne e as delicadezas do amor. Contrastando com esse extensivo pano de fundo histórico, o filme nos faz adentrar os mistérios do pouco discutido romance na meia-idade. As perspectivas e os compromissos em muito diferem daqueles que se apresentam no amor juvenil, mas persiste ainda o encantamento diante da possibilidade de desbravar os recantos do coração e do corpo de outra pessoa. A viagem desejada por anos e a paixão inesperada são o material com que a narrativa elabora uma de suas temáticas centrais: a dualidade entre o fascínio e a desilusão.
O filme foi um ponto de virada na carreira de David Lean, sendo sua primeira produção internacional. Embora o diretor seja lembrado por épicos, como A Ponte do Rio Kwai (1957), Lawrence da Arábia (1962) e Doutor Jivago (1965), ele consideraria essa singela obra romântica o seu filme mais importante.

Luan Augusto Machado de Lima

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