Údolí Vcel, Tchecoslováquia, Drama histórico, 1968, 97 minutos
Direção: František Vláčil
Elenco: Petr Čepek, Jan Kačer, Věra Galatíková
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 14 anos
Contém: Violência
Áudio original em tcheco, com legendas em português

Na Boêmia do século XIII, o poderoso senhor de Vlkov se casa com a adolescente Lenora. A moça tem quase a mesma idade que Ondřej, filho do castelão. O garoto, antipático à ideia do casamento, prega uma peça na noiva durante a cerimônia: oferece a ela, como presente, uma coroa com morcegos vivos. A pegadinha desperta a fúria de seu pai, que, descontroladamente, atira o filho contra uma parede, desacordando-o instantaneamente. Junto ao rapaz quase morto, o senhor de Vlkov se desespera com o próprio ato. Buscando na fé o alívio de suas dores, promete a Deus que, se o menino sobreviver, ele será dado à Ordem Teutônica, uma ordem militar católica. Ondřej sobrevive, e a promessa de seu pai se faz cumprir.
O rapaz conhece uma nova vida, muito distante da existência que levava até então no castelo de sua família. A Ordem Teutônica, fundada em 1190 com o objetivo de prestar apoio às Cruzadas, tinha uma estrutura militarmente rígida. O jovem Ondřej, ainda se adaptando ao seu novo mundo, faz amizade com Armin, um cavaleiro mais experiente e extremamente devoto. Armin já havia participado das Cruzadas; traz sempre consigo, num saquinho preso ao seu colar, um pouco de areia extraída do solo da Terra Santa. Os anos se passam e Ondřej se torna um membro integrado da Ordem, participando inclusive das perseguições a desertores. Todavia, a estrutura autoritária da Ordem pesa sobre a sua consciência; Ondřej decide ele mesmo desertar, rumando para o castelo que ele não vê mais desde a infância. Armin parte em seu encalço, com o objetivo de trazê-lo de volta para a Ordem; a antiga amizade se consome no fogo do fanatismo religioso.
Em 1967, o diretor František Vláčil lançou Marketa Lazarová, um drama histórico que retrata o conflito entre o cristianismo e o paganismo na Europa Central do século XIII. O filme, considerado por muitos críticos o melhor longa tcheco de todos os tempos, foi bastante caro, em função da ambientação medieval. Vláčil decidiu então fazer mais uma obra ambientada na mesma época, para reaproveitar os cenários e figurinos. A fé, em O Vale das Abelhas, continuou sendo um tema central, mas o foco se deslocou para os conflitos internos do cristianismo. A narrativa se contrói, em larga medida, na tensão entre a consciência e a liberdade do indivíduo e o autoritarismo representado pela Ordem Teutônica. O fanatismo, traduzido sobretudo pelas ações de Armin, mostra-se capaz de trazer a tragédia ao que antes era uma amizade de anos.

Luan Augusto Machado de Lima

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