O HOMEM QUE RI

The Man Who Laughs, EUA, 1928, Drama/Romance, 140 minutos

Direção: Paul Leni

Elenco: Mary Philbin, Conrad Veidt, Julius Molnar

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 14 anos

Contém: Violência, conteúdo sexual

Onde encontrar: YouTube

Baseado no livro homônimo de Victor Hugo, O Homem que Ri conta a história de Gwynplaine, cujo sorriso foi esculpido em seu rosto por ciganos quando ainda criança, de forma a estar sempre sorrindo. Mas Gwynplaine daria tudo para tirar o sorriso do próprio rosto, para mostrar ao mundo sua tristeza e para se tornar digno da bela Dea que, sendo cega, não tem ideia de sua aparência.

A história se passa na Inglaterra do século XVII com Lorde Clancharlie sendo condenado à morte e seu único filho, é vendido à ciganos, cujo comércio está transformando crianças em aberrações lucrativas. Pouco tempo depois, o jovem é abandonado em um cais coberto de neve. Vagando pelas ruas ele se depara com uma mulher morta, agarrada a uma menina. Gwynplaine carrega a criança com ele para a caravana do filósofo e showman Ursus, que os acolhe com pena quando ele percebe que o bebê, Dea, é cego e que a aparente felicidade do menino é uma evidência das torturas sofridas. Com o passar dos anos, viajando pelo campo com Ursus, Dea e Gwynplaine se apaixonam e ele se torna famoso como ‘o homem que ri’. Um certo dia, em uma apresentação na Feira de Southwark em Londres, Gwyplaine chama atenção do médico cigano que o transformou e da linda e caprichosa Duquesa Josiana.

Em uma época em que uma atitude positiva é vista como uma das virtudes cardeais, é também um lembrete útil de que um sorriso pode ser não apenas uma máscara para a dor, mas a raiz dela, expressando com olhos e ombros a agonia por trás do sorriso, e transmitindo dinamismo e sexo apesar de sua aparência grotesca. O Homem que Ri parece e funciona como um cruzamento entre um conto de fadas muito sombrio e um drama histórico sobre a trapaça política nas cortes reais da Inglaterra. Mas também coloca em primeiro plano uma história de amor trágica e verdadeiramente comovente como nenhuma outra, ao mesmo tempo que compara a vida, assim como os estados relativos de contentamento e felicidade, daqueles que possuem dinheiro, poder, ganância e beleza, e daqueles que não possuem. Um filme tocante e agradável que cativa todas as gerações.

Mayara Sentalin