L’Eclisse, Itália/França, 1962, Drama/Romance, 125 minutos

Direção: Michelangelo Antonioni

Elenco: Alain Delon, Monica Vitti, Francisco Rabal

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 14 ANOS

Contém: Diálogo Adulto

Áudio em italiano com legenda em português

Na realidade, é possível criar uma relação verdadeira, onde dois indivíduos se comuniquem e sintam algo concreto? A resposta para essa pergunta é pessoal e subjetiva. Porém, dentro do mundo criado por Antonioni, a resposta será a mais pessimista possível.

Vittoria rompe com algo. Para ser mais específico, seu relacionamento com Riccardo. Esse fim é, em si, uma busca por preencher algo que de repente se observou vazio. Sobra então procurar em outras conexões algum sentido, ou talvez algo menos definido, um sentimento.

Primeiro vai ao encontro da mãe que está na Bolsa de Valores de Roma, mas ela está preocupada apenas com seus bens. Ali, em meio as palavras que são ao mesmo tempo gritadas e incompreensíveis, conhece uma pessoa. Mas conhecemos pessoas todos os dias, qual seria a importância? Segue então para se divertir com sua amiga, e depois com sua vizinha, sem nem saber o porquê. No fim não se sabe se algo foi construído, como medir uma relação? Mas então um declínio do material talvez crie uma relação profunda. Em meio a um dia de crises na bolsa de valores, Vittoria reencontra aquela pessoa que havia conhecido dias atrás, o jovem corretor Piero, e ambos criam interesse um pelo outro.

Adiantaria tentar algo? Se envolver? Criar algo profundo? Fazer a tentativa é uma opção, mas a recusa também é válida. Afinal, a protagonista pensa que às vezes é preferível não ter relação amorosa alguma do que ter algo que não é completo, algo que não é realmente um grande amor.

O Eclipse é o terceiro e último filme da trilogia não-oficial da incomunicabilidade. Nesse capítulo final, Antonioni explora, sob novos olhares, as relações humanas na sociedade moderna e fecha uma unidade, mas não encerra o grande debate. Pelo contrário, cada filme, cada mundo criado a partir de um observador, é uma nova experiência para examinar e analisar detalhadamente o sentimento, Antonioni apenas deu uma linda contribuição nessa constante busca.

Lucas Henrique Sant’Anna