O DEMÔNIO DAS ONZE HORAS

Pierrot Le Fou, França, 1965, Drama/Romance, 110 minutos

Direção: Jean Luc Godard

Elenco: Jean Paul Belmondo, Anna Karina, Graziella Galvan

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 14 anos

CONTÉM: Violência, drogas, conteúdo sexual

Onde encontrar: Telecine Play, Amazon Prime

 

O Diabo das Onze Horas é um filme sobre um homem e uma mulher em uma odisseia pelo país. O drama conta a história de Ferdinand, um intelectual fracassado que redescobre suas ambições literárias, enquanto fogem com sua paixão romântica, Marianne, que é associada a um grupo sombrio e violento de traficantes de armas e conspiradores políticos.

Casado com uma italiana rica, acomodada em uma existência burguesa consumista e luxuosa, representada pelo fato de poder ir a festas com sua nova cinta invisível, quando a nova babá de sua filha acaba por ser sua ex-amante. Farto da festa, ele volta para casa e foge com a babá, que se esconde de um bando de traficantes de armas, e num piscar de olhos eles estão vagando rumo ao sul da França, com esperança de chegar à Itália e voar para o Taiti. Ferdinand então se acomoda no estilo de vida mais calmo e contemplativo ao chegar em um trecho da Riviera Francesa, a menos de oitocentos metros dos hotéis turísticos, e o fascínio da fuga começa a desaparecer. Ele tenta se dedicar à arte perdida da leitura, mas Marianne insiste que eles partam para a próxima aventura, de preferência uma com um pouco mais de conexão com o mundo material.

Godard, dessa forma, põe em movimento o que pode ser resumido como uma versão existencial de Bonnie e Clyde, uma aventura de amantes em liberdade que é leve e lírica, mas também sombria e contemplativa que dá o tom do movimento francês Nouvelle Vague. O enredo de O Demônio das Onze Horas instiga muita ação, humor considerável, paixão eventual e uma corrente de pensamentos. Ferdinand e Marianne acabam falhando em melhorar romântica, intelectual, política ou filosoficamente, e o fato de que o enredo retrata a história como uma espécie de documentário, mais do que de forma enfática, é um dos charmes e razões pelas quais o filme se destaca como um clássico amado da Nouvelle Vague, se tornando um filme aclamado até os dias de hoje.

Mayara Sentalin