Elvira Madigan, Suécia, Drama, 1967, 91 minutos
Direção: Bo Widerberg
Elenco: Pia Degermark, Thommy Berggren, Lennart Malmer
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: A12
Contém: Violência
Áudio original em sueco, com legendas em português

O imaginário de um povo é construído a partir de um caldo de acontecimentos verídicos e uma massa encorpada de elementos fantásticos, temperados pelo folclórico e pelo sensacionalista. Foi assim que a história da bela Elvira Madigan se entranhou na consciência sueca, virando quase uma lenda nacional. Elvira foi uma artista circense do século XIX, famosa por sua beleza extraordinária. Durante uma estadia do circo na Escânia — condado no sul da Suécia —, a jovem conheceu o aristocrático tenente Sixten Sparre. O homem já era casado, tinha dois filhos e estava falido; nada disso constituiu um impeditivo para a impetuosa paixão que nasceu entre eles. Contudo, o amor dos dois era condenado pelas leis e pela moralidade da época. Por essa razão, os amantes decidiram fugir para viver, às margens do socialmente aceitável, o que pensavam ser o grande amor de suas vidas. A moça até mesmo abandonou o nome artístico, voltando a usar o nome de batismo, Hedvig Jensen. Este gesto singelo foi, para ela, um símbolo da entrega a uma vida autêntica, distante das artificialidades do palco e das convenções sociais. Todavia, o incipiente
casal logo descobriu que a intensidade de uma paixão não bastava para escapar dos dedos ásperos da realidade, e o que era para ser uma perfeita fábula do amor encontraria o seu desfecho trágico.
A história inspirou um sem número de obras na Suécia, incluindo canções, poemas e peças de teatro. O diretor Bo Widerberg interessou-se por criar, para o cinema, a sua versão da lenda. O resultado final foi um filme que recebeu aclamação da crítica, em especial pela delicadeza de sua fotografia. Numa resenha contemporânea, o crítico Roger Ebert escreveu: “Elvira Madigan é, de fato, notavelmente bonito. Quase todos os frames poderiam ser pinturas e, apesar disso, o filme é vivaz e cinemático, e não apenas uma coletânea de belas fotos”.

Luan Augusto Machado de Lima

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