ALEMANHA ANO ZERO

Germania Anno Zero, Alemanha, 1948, Drama, 71 minutos

Direção: Roberto Rosselini

Elenco: Edmund Moeschke, Ernst Pittschau, Ingetraud Hinze

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 16 anos

CONTÉM: Temas sensíveis, violência

Áudio original em italiano com legendas em português

Onde encontrar: YouTube, Telecine

A última história da trilogia de filmes de guerra de Rossellini, Alemanha Ano Zero, se passa em 1947 na Alemanha. A história segue um menino de 12 anos, Edmund, sobrecarregado com a incômoda tarefa de sustentar sua família na Berlim ocupada pelos Aliados após a Segunda Guerra Mundial. O menino sobrevive com qualquer coisa que consiga encontrar nas ruas, que estão devastadas, e é deixado à sua própria sorte para sobreviver e ajudar a sua família.

O pai está muito doente, incapaz de levar comida para casa. O filho mais velho é um ex-soldado escondido da polícia, temeroso das implicações de lutar na guerra e a filha vai a clubes tarde da noite, para trazer cigarros valiosos e pequenos presentes para contribuir para a sobrevivência de sua família. O filho mais novo vagueia sozinho pela cidade destruída tentando encontrar trabalho ou alguma comida para reduzir a fome deles. Quando Edmund, inocente e desesperado por comida, encontra seu ex-professor, que secretamente parece ainda estar com saudades do regime nazista, o garoto é deixado para aceitar uma proposta arriscada de seu ex-professor.

Assim como o gênero neorrealista, o filme desafia o sonho de Hollywood de escapar da realidade e confronta o espectador com uma série de imagens, momentos e ideias aberrantes. Foi produzido como uma forma de reivindicar a ideia de que os indivíduos eram necessários, feridos por uma guerra que fez vários deles vítimas sem voz, sem rosto e anônimas.

Característica do movimento, mostra uma convicção que carregou consigo muitas consequências estéticas e intelectuais, também religiosas, sendo um filme importante que influenciou outros filmes ao longo das décadas. O filme foi gravado nas ruas durante o verão, em Berlim, não apenas uma cidade e uma população reduzida ao caos da época, mas também um lugar espiritualmente e virtuosamente afetado. Tal técnica permitiu que os eventos reais fossem gravados e incorporados à densa atmosfera da obra, com conversas retiradas do cotidiano para reconstituir as histórias dos indivíduos. Estrelado por uma criança de onze anos de uma família de circo e sem experiência em atuação que, ainda assim, torna história comovente e fascinante que ecoa até hoje.

Mayara Sentalin