Touch Of Evil, Estados Unidos, Suspense, 1958, 111 minutos
Direção: Orson Welles
Elenco: Orson Welles, Charlton Heston, Janet Leigh, Marlene Dietrich
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 14 anos
Contém: Violência
Áudio original em inglês, com legendas em português
O policial mexicano Miguel Vargas acaba de se casar com Susie, uma moça americana. O casal passa a lua-de-mel na cidade de Vargas, na fronteira com os Estados Unidos. A relação dos dois, apaixonada, tendo diante de si a promessa de uma vida inteira pela frente, construída em conjunto, contrasta com o ambiente de corrupção e violência ao redor. Perto do casal, uma bomba explode em um carro, matando um magnata americano e uma mulher que o acompanhava. O crime imediatamente chama a atenção de autoridades dos Estados Unidos – como diz Vargas para Susie, se a bomba tiver sido plantada já no México, o crime pode levar a um incidente diplomático. Hank Quinlan, um experiente policial estadunidense, cruza a fronteira para se envolver nas investigações. Deste ponto de partida, segue-se uma história de suspense, acusações e embates psicológicos.
A narrativa é estruturada principalmente ao redor do conflito de métodos e visões de mundo de Vargas e Hank. O policial mexicano tem uma índole idealista e acredita, nas palavras dele, que o trabalho de um policial deve ser difícil – significando, com isso, que deve proceder com cautela, sem acusar nenhum suspeito na ausência de provas cabais. Hank, por outro lado, dá mais peso às suas “intuições” – que nada mais são do que as comichões em sua perna manca – que às evidências. Hank, interpretado por Orson Welles – que também escreveu o roteiro e dirigiu o filme – é um dos pontos altos da narrativa. O personagem, em si bastante complexo, ganha peso pela atuação de Welles.
O filme teve inicialmente respostas críticas bastante diferentes nos Estados Unidos e na Europa. Em seu próprio país, muitos críticos de cinema escreveram que a narrativa era mal estruturada; contrastando com essa visão, a obra foi recebida com pompas e prêmios na Europa. Entretanto, o longa recebeu, com o tempo, uma reavaliação crítica nos Estados Unidos, principalmente a partir de uma versão restaurada e mais longa, lançada em 1998 (e que é a versão exibida este mês no Cineclube CDCC). Hoje, o filme é quase universalmente visto como uma das obras centrais da filmografia de Orson Welles e, por consequência, uma das mais importantes da história do cinema.
Luan Augusto Machado de Lima
