Uma Pulga na Balança, Brasil, Comédia, 1953, 90 minutos
Direção: Luciano Salce
Elenco: Waldemar Wey, Gilda Nery, Lola Brah, Paulo Autran
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: Livre
Áudio original em português
Dorival é um ladrão que se dedica a pequenos crimes. Cansado da vida nas ruas, sente falta do tempo que passou na prisão. A saudade da cadeia e o espírito golpista de Dorival são as sementes que fazem nascer um engenhoso plano. Ele se deixa prender voluntariamente, e então, instalado no conforto de sua cela, procura nos jornais, todos os dias, os obituários de figuras importantes da sociedade paulistana. Escolhida a vítima, o ladrão envia, para a família, uma carta endereçada ao falecido, como se não soubesse de sua morte. Por meio da correspondência, Dorival comunica que foi preso, dando a entender que ele e o defunto eram comparsas no crime. Invariavelmente, a missiva provoca o escândalo da família, que se apressa a comprar o silêncio do homem.
A obra usa a comédia para expor a preocupação das elites paulistas com as aparências e a posição social. Nesse meio, não se questiona se o falecido era de fato um criminoso; o que importa é, antes de tudo, uma simulação de honestidade perante os outros integrantes da alta classe. Assim, o longa monta um retrato crítico do espetáculo de ficções sociais da aristocracia paulistana.
Ressalte-se também a importância histórica do filme. Nos anos 50, o cinema brasileiro viveu um breve período de pujança, causado pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz. O estúdio teve uma existência curta, mas produziu dezenas de filmes, entre os quais alguns clássicos do cinema nacional, como Sinhá Moça e O Cangaceiro (ambos de 1953). Foi neste contexto que o italiano Luciano Salce veio para o Brasil, com o intuito de dirigir, para a Vera Cruz, a comédia Uma Pulga na Balança. A obra seria responsável por lançar as carreiras, no cinema, de vários atores que, ao longo das próximas décadas, ocupariam papel de destaque na produção audiovisual brasileira, incluindo Paulo Autran, Gilda Nery, Lola Brah e John Herbert.
Desse modo, assistir ao filme é uma experiência que contribui para a compreensão histórica do cinema brasileiro; mas, acima de tudo, a obra permite que o espectador se entregue ao riso diante de uma divertida comédia social brasileira.
Luan Augusto Machado de Lima
