Fitzcarraldo, Peru/Alemanha, Aventura, 1968, 158 minutos
Direção: Werner Herzog
Elenco: Klaus Kinski, Claudia Cardinale, Grande Otelo, José Lewgoy
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 12 anos
Contém: Violência, Drogas Lícitas
Áudio original em alemão, legendas em português

Esta obra que se consagra como um dos grandes clássicos do cinema europeu, acompanha a história de Brian Sweeney Fitzgerld, um irlandês excêntrico que deseja se tornar magnata a todo custo. Conhecido como “Fitzcarraldo” no Peru, o homem já tinha fama de falhar em seus projetos, como a ferrovia transandina que falhou após a construção da primeira estação, porém Brian tem uma nova ambição, levar a ópera para a pequena cidade de Iquitos, no interior do Peru, que assim como o norte do Brasil, vivia o ciclo da borracha. Fitzcarraldo pede ajuda para o grande magnata da borracha, Dom Aquilino, que acha a ideia ridícula, então ao invés de apoiar a construção da casa de ópera que Fitzcarraldo desejava, resolve apresentar o território peruano ao mesmo, vendo que havia um território rico em seringueiras e sem dono, mesmo que fosse quase inacessível, Brian decide reivindicar a porção de terra e enriquecer com a borracha como tantos outros, com ajuda de sua amante Molly, ele compra um navio e reforma para que consiga acessar a remota região, contudo a viagem se mostra mais difícil que o esperado.
Apesar de ter sido inspirado na vida de Carlos Fitzcarrald um real barão da borracha no Peru, o filme não é fiel a história do mesmo, pois Carlos foi um real magnata que explorou as terras escravizando diversos nativos, diferente do Fitzcarraldo citado no filme. O filme é considerado uma das produções mais difíceis da história, dado que Herzog decidiu filmar no Peru e sem usar efeitos especiais, o que resultou na perda do primeiro ator que iria interpretar o protagonista após o mesmo adoecer, com isso o diretor teve de chamar Klaus Kinski, este que tinha conflitos constantes com a equipe e com o diretor, com os nativos oferecendo assassinar o ator para que Herzog tivesse paz no set. O feito mais memorável, mas também o que mais atrasou a filmagem foi o fato de que Herzog forçou os nativos a realmente puxarem um navio de 320 toneladas montanha acima no meio da floresta amazônica, o que resultou em vários acidentes, porém foi o que mais popularizou e consolidou o filme como único na história.
Em geral Fitzcarraldo, conta não uma história de aventura épica, mas sim a trajetória do “Conquistador do Inútil” que se reflete na própria figura de Herzog ao forçar o carregamento do navio sobre a montanha somente pelo filme, e por isso é tão bem avaliado na crítica e considerado um dos melhores filmes alemães.

Vitor Augusto Andrade

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