O Bandido da Luz Vermelha, Brasil, Policial, 1968, 92 minutos
Direção: Rogério Sganzerla
Elenco: Paulo Villaça, Helena Ignez, Luiz Linhares, Sérgio Hingst
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 16 anos
Contém: Violência, Conteúdo sexual, Drogas
Áudio original em português, sem legendas

Um dos filmes mais famosos do cinema marginal ou também conhecido como “boca do lixo” O Bandido da Luz Vermelha é uma obra que muitos consideram confusa e difícil, uma vez que não segue o estilo comum de cinematografia.
A história conta a vida de Jorge, um bandido que tinha como marca registrada se mascarar e usar uma lanterna vermelha para cometer roubos em mansões de luxo, para além disso também violentar as mulheres burguesas, uma forma de humilhar a elite da época. Jorge usa o dinheiro roubado para gastar de forma desenfreada, reflexo de sua mente em constante conflito, com a repetição da pergunta “Quem sou eu? ”. Além de Jorge, existem outras figuras caricatas como o delegado Cabeção que falha constantemente em capturar o bandido, e também há a figura de J.B. da Silva uma sátira aos políticos que vem com propostas absurdas de resolução dos problemas do país, mas que no fundo, não passam de hipócritas tão sujos e criminosos quanto qualquer bandido. O filme é acompanhado também por constantes narrativas sensacionalistas em letreiros luminosos e sendo contadas no rádio, uma clara crítica à mídia brasileira que fica o tempo todo anunciando manchetes hiperbólicas, muitas vezes modificando a real visão sobre algo ou alguém.
Em suma, o filme é uma crítica à sociedade brasileira durante a ditadura que estava alienada aos problemas que consumavam o país, assim o filme cria um cenário exagerado de caos em que se repete “O terceiro mundo vai explodir” e em “Quem tiver sapato não sobra”, aludindo ao estado caótico que o Brasil se encontrava.

Vitor Augusto Andrade

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