| Revista Eletrônica de Ciências | ||
| São Carlos, | Número 42, Março 2008 | Aprendendo Mais |
Educação Ambiental e Desenvolvimento
João Mateus de Amorim
Mestrando em Engenharia Ambiental Urbana - UFU
Dias (1994) comenta que a Conferência de Estocolmo foi um marco importante nas políticas de gestão ambiental e, consequentemente, na melhoria dos espaços de sobrevivência humana. Essa conferência apontou a necessidade de promover a Educação Ambiental (EA), como instrumento de luta, de ética e de participação na busca da cidadania e da justiça social em um ambiente ambientalmente equilibrado. Mais tarde, realizou-se em 1997 (Tbilisi, Geórgia, CEI), uma conferência intergovernamental acerca da E A com objetivos, finalidades e princípios para a busca do desenvolvimento equilibrado.
Diante deste exposto apresentamos a questão ambiental com base em um diagrama multifacetado em diversas variáveis, que são:
Adaptado de Dias (1994) o ambiente total e seus aspectos (O modelo do tecido celular).
A EA inspirada neste diagrama mostra uma visão ampla da questão ambiental, não só, a “ecologização” veiculada pela mídia e outros programas de cunho reducionista. Pois, se assim for, a EA será somente a educação pelo verde e pelo ecologismo. A EA com base no diagrama é mais profunda, holítica, pois aborda a questão de justiça, do social, do cultural, do econômico, do ecológico, do político e do tecnológico. Sendo assim, teremos uma abordagem ambiental em todas as dimensões do cotidiano tanto do homem quanto do espaço natural apontando para uma educação ambiental consolidada e ambientalmente integrada.
Segundo Dias (1994) o CONAMA em suas orientações aponta a necessidade da EA proporcionar uma consciência crítica acerca das questões ambientais, e meios de participação das populações na preservação do meio ambiente. Ainda, nesse contexto, Dias (1994) mostra que a Carta de Belgrado, Iugoslávia, em 1975, UNESCO, promoveu a busca pela ética, pela erradicação da pobreza, da fome, do analfabetismo e de todas as injustiças sociais como forma de garantir uma melhor qualidade de vida para a sociedade local e global.
Em Tbilisi, 1997, surgiu à primeira conferência intergovernamental com o propósito de celebrar os aspectos da EA com base no enfoque interdisciplinar, na ética e na justiça social de forma ampla, como forma de garantir um ambiente equilibrado para toda a sociedade. Fica claro na análise do pesquisador Dias (1994) o propósito dessa Conferência em relação a EA. É, também, ocorreu na conferência de Moscou, CEI em 1987, propostas para o processo de educação e de formação ambiental no Brasil.
Nesse contexto surgiu a ECO-92 (Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento) com o propósito de melhorar a relação do homem com o meio ambiente através da Agenda 21.
Então, como construir um desenvolvimento sustentável em uma sociedade capitalista? Será que o consumo sustentável reduzirá a degradação ambiental nos espaços urbanos? O desenvolvimento deve estar ligado a várias dimensões e, também a participação, a organização, a cidadania e a educação de forma ampla.
A chave para o desenvolvimento é a participação, a organização, a educação e o fortalecimento das pessoas. O desenvolvimento sustentado não é centrado na produção, é centrado nas pessoas. Deve ser apropriado não só aos recursos e ao meio ambiente, mas também à cultura, história e sistemas sociais do local onde ele ocorre. Deve ser eqüitativo e agradável. Nenhum sistema social pode ser mantido por um longo período quando a distribuição dos benefícios e dos custos - ou das coisas boas e ruins de um dado sistema - é extremamente injusta, especialmente quando, parte da população está submetida a um debilitante e crônico estado de pobreza (DIAS, 1994:141).
O desenvolvimento econômico e o cuidado com o meio ambiente são compatíveis, interdependentes e necessários. A alta produtividade, a tecnologia moderna e o desenvolvimento econômico podem e devem coexistir com um meio ambiente saudável (DIAS, 1994: 141). O desenvolvimento econômico e o bem-estar do homem dependem dos recursos da terra. O desenvolvimento sustentável é simplesmente impossível se for permitido que a degradação ambiental continue (UNESCO/UNEP, 1983 apud DIAS, 1994: 143).
Esse desenvolvimento (econômico) acontece em sua plenitude na cidade, guiada pela industrialização . Pois, as cidades são os locais onde o homem produz o seu maior impacto sobre a natureza. A sua construção alteram de modo drástico os ambientes naturais onde são erguidas, criando um novo ambiente com demandas únicas, em que cada habitante, em média, consome diariamente 560 l de água, 1,8 Kg de alimentos, 8,6 Kg de combustível fóssil e produz cerca de 450 L de água servidas (sujas), 1,8 Kg de lixo e 0,9 Kg de poluentes do ar (UNESCO/UNESP, 1983 apud DIAS, 1994: 143 ).
De acordo com o diagrama abaixo podemos definir o ecossistema urbano como um ambiente extremamente complexo e muito vulnerável às transformações do mundo contemporâneo. A cidade neste contexto fica totalmente alterada, principalmente no quesito ambiental. A verdadeira Educação Ambiental passa pela cidadania, pela justiça social, pela dignidade, pela participação, pela organização e pela educação com base na holística.
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Fonte: O metabolismo dos ecossistemas urbanos, adaptado de (UNESCO/UNEP, 1983 apud DIAS, 1994:144).
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: princípios e práticas. 3ª ed. São Paulo, Gaia, 1994.